
Discussões à parte, é impossível começar a comentar a discografia do Mountain e não falar desse álbum.
"Blood Of The Sun", "Dreams Of Milk & Honey" são hinos do Hard pesado, mostrando que a escola do Cream daria muito o que falar na década que estava surgindo. West já se mostrava um fenômeno de timbre inigualável durante todo o álbum. A sutileza e musicalidade de Felix Pappalardi aparece em temas magistrais como "Long Red", "Because You Are My Friend" (essa, na verdade, uma antiga composição acústica de West) e "Storyteller Man" (influência certa para os Faces). "Blind Man" é blues como o Cream fazia, "This Wheel's On Fire" é uma versão atordoada para o clássico de Bob Dylan e Rick Danko, "Look To The Wind" trazia as características orquestrações de Pappalardi e "Southbound Train" é a famosa música que o Mountain imortalizou em Woodstock.

Sem dúvida nenhuma o melhor disco do Mountain. Agora como uma banda de verdade, o grupo liderado por Leslie West e Felix Pappalardi vinha com um álbum perfeito, trazendo nove canções que se tornaram "cartilha" para quem quisesse se aventurar no Rock pesado dali pra frente. O que dizer de um disco que abre com "Mississipi Queen", um dos clássicos da história do Rock? O mínimo que pode se fazer é o ouvir o disco no volume máximo como recomendava a banda na contracapa do LP: "This Record Was Made To Be Played Loud".

"Never In My Life" e "Sittin' On A Rainbow" tem riffs cavalares de West dobrados pelo baixo de Pappalardi, o que oferece um peso extra nas composições que já eram fortes por natureza. "Silver Paper" é uma pequena obra prima misturando psicodelia e peso com uma letra totalmente "hipponga". "For Yasgur's Farm" é uma das mais belas homenagens a Woodstock feita por uma banda que lá tocou. (Joni Mitchell fez também sua homenagem mas não tocou...)
A guitarra de West tem em Climbing seu ápice. Um som único, como o da faixa instrumental "To My Friend" e no encerramento com "Boys In The Band".

Vindo no mesmo pique de "Climbing", o Mountain registrou outro clássico do Hard setentista com esse "Nantucket Sleighride". Gail Collins, esposa de Felix Pappalardi surge como figura de suma importância para a banda, cuidando de toda a parte gráfica e também das letras.
Novamente o Mountain desfila com categoria temas pesados como "Don't Look Around", "You Can't Get Away", "The Animal Trainer And The Toad", "Travellin' in the Dark" e impressiona também nas nuances mais sutis, como em "Tired Angels" (uma homenagem a Hendrix falecido no ano anterior) e "My Lady" (faixa mostrando reminescências do período folk de Pappalardi no Village de NY). Um dos melhores momentos do grupo está na dobradinha "Taunta (Sammy's Tune)"/ "Nantucket Sleighride", um épico contando um pouco da história da América que mostra toda a genialidade da dupla Pappalardi e West.

Álbum que marca o final do período mais criativo da banda em estúdio, mostrando que dali pra frente as apresentações ao vivo seriam prioridade e palco das mais malucas improvisações possíveis.
O lado de estúdio traz temas como o rock empolgante da faixa título, a tristeza e melancolia instrumental de "King's Chorale", a levada irresistivelmente pesada de "Crossroader" e o clima erudito de "Pride and Passion". Na parte ao vivo, o destaque é o "Dream Sequence", um medley de 25 minutos com muitos improvisos e uma versão matadora de "Mississipi Queen". Tudo devidamente registrado no fechamento do lendário Fillmore East.

Lançamento póstumo, realizado quando a banda encerrou suas atividades pela primeira vez em 1972. Apenas quatro faixas aparecem: "Log Red", "Waiting To Take You Away" (composição inédita da banda), "Crossroader" e uma versão de 17 minutos para "Nantucket Sleighride" que tomava todo o lado B do vinil.

Mais um ao vivo, registro que marcou a volta da banda em 1973. A tour japonesa merecia um souvenir à altura da histeria dos fãs locais e então foi lançado esse álbum gravado no Koseinenkin Hall em Osaka.
O vinil duplo trazia versões interessantes para clássicos como "Never In My Life", "Mississipi Queen", "Silver Paper" e "Theme For An Imaginary Western". Nos improvisos o Mountain se supera e registra uma versão de 32 minutos (!) para a épica "Nantucket Sleighride". No vinil a faixa era dividida em duas parte que tomavam os dois lados de um disco. Infelizmente a voz de Felix Pappalardi já não mostrava a mesma garra dos primeiros dias de Mountain, tudo isso somado ainda a ausência significativa de Corky Laing que não pode fazer essa tour pelo Japão devido a problemas de saúde.

Depois de dois discos ao vivo o Mountain estava louco para voltar às gravações em estúdio. "Avalanche" é uma tentativa de volta aos dias inspirados de "Climbing". Mais voltado para a guitarra de Leslie West, o rock rola solto com as versões de "Whole Lotta Shakin' Goig On" e "Satisfaction". Pappalardi voltava afiado e compondo muito como em "Sister Justice", "Swamp Boy" (e sua introdução bacana), "Thumbsucker" e "Last Of The Sunshine Days". "Alisan" era mais uma bela peça instrumental de West, nos moldes de "To My Friend" que aparecia no disco Climbing. "You Better Believe It" mostra o quanto faz diferença ter Corky Laing de novo na bateria e "I Love To See You Fly" tem algo de Led Zeppelin.

Contando com Mark Clarke (ex-Tempest e Uriah Heep) no baixo, o Mountain mostrou estar meio perdido após a morte trágica de Felix Pappalardi. Temas sem inspiração como "Hard Times" (que mereceu um clipe medonho na época), "Spark" e "Bardot Damage" mostravam que o Mountain queria soar como um ZZ Top ou um Kiss, bandas de sucesso nos anos 70 e que continuaram vendendo muitos discos nos 80, o que não foi o caso do Mountain. Títulos como "She Loves Her Rock (And She Loves It Hard)", "I Love Young Girls" e "Makin' It in Your Car" falam por si mesmo e demonstram os interesses do pessoal na época...

Coletânea dupla com muito material clássico da primeira fase do Mountain. Os discos "Climbing" e "Nantucket Sleighride" aparecem quase na íntegra, mas o bacana é uma versão inédita, registrada ao vivo, para "Stormy Monday" com quase 20 minutos de duração. De quebra, a coletânea traz duas faixas inéditas contando com Noel Redding no baixo: "Talking To The Angels" e "Solution".

Como não rolou a volta com Noel Redding o jeito foi convocar Mark Clarke de volta para encarar agora a década de 90. Bem superior ao Mountain dos anos 80, essa versão mostrava estar de bem com a vida em músicas como "In Your Face", "Noboddy Gonna Steal My Thunder", "Man's World" (uma versão para "It's a Man's Man's World" de James Brown, também regravada pelo Grand Funk Railroad nos anos 80) e "I Look".

O Mountain do século XXI vem com Ritchie Scarlett no baixo e mostra um peso extra em todas as composições, principalmente na releitura para o clássico "Nantucket Sleighride". O disco abre com a pesada "Immortal", trazendo vocais quase guturais de Leslie. Na seqüência, a faixa título, a melhor do disco por sinal. A regravação de "Fever" (aquela que ficou famosa com o rei Elvis) é bem interessante, e, convenhamos, é engraçado imaginar Leslie dando uma de sexy com todo aquele tamanho!
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